terça-feira, 1 de julho de 2014

Calma, malandro
nada é pra já
deixa esse fogo queimar
Lento
devagar, atrás da serra
o canto do galo traz a aurora
a volta do mundo
é pra quem sabe esperar,
Que nada tarde, senão que a verdade
não se cala, nem degenera
por mais que tarde...
aos pés da serra
a brisa fresca
a alma vela
a sorrir para os teus ais
do cruzeiro a seta aponta
doce severa
e refresca o dito
Antes tarde
que tarde demais.

terça-feira, 8 de abril de 2014

  Corta essa, mulher
De querer assim
Que eu te convença
De uma coisa qualquer

Sobre mim, sobre nós

A aventura está posta
E tudo esta na cara

Foram-se as primaveras idas
E as flores de plástico
Já desbotaram na avenida

Qualquer rima fácil
Será um engano
Meu verso é torto
E esse canto é outro

No mais, resta a vida
(e o amor louco)

Pare de querer tanto,
que eu insista

agradar a qualquer custo

É para falsos artistas

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Tuas floradas
tuas sombras
tuas cores

assovio do vento

tuas ramadas
tuas copas
teus ninhos

fases da lua

memória, remanso, corredeiras

dimensão da viagem
à primeira brisa da manhã

sábado, 12 de outubro de 2013


also sprach Zarathustra


descuidados

   ela é uma mulher                     zombeteiros
                 assim nos quer a         descuidados
sabedoria                ela é uma mulher
                    ela ama somente um                            poesia
  música                            violentos
                                                           violentos
                   sabedoria                      ela é uma mulher
ela ama somente um guerreiro          poesia
   
          violentos       assim nos quer a

ela é uma mulher   

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Desde já, eu me afasto das mulheres frias

afasto-me  delas

das áridas, das amortecidas;  das sem perfume

das sovinas, das astutas; das de canela amarrada

das inóspitas, das inertes, das calculistas, das pudicas

das de olhar farpado, das de boca seca

das pérfidas de tromba; das bruacas, das moribundas

das sem ouvido musical, das de pele de cobra

das cronicamente insatisfeitas, das fora de alcance

das abelhudas, das de hálito polar

das de cabelo de serpente

Afasto-me delas, para ficar com as que me querem e me recebem radiantes

elas, descendentes da terra mesma

de pele tropical e  lábios líquidos; veladas e cintilantes

femininas, alegres; soberanas, fortes

elas, de coração tranqüilo e vibrante

de volúpia pausada e gesto afirmativo

de inteligência aguda e movimentos ritmados

gratuitas, curiosas, presentes, despertas

elas, que sabem desejar e obter

que tem ouvidos pra poesia

explícitas, corpóreas, sensacionistas, elétricas

doces e maliciosas; elas, por quem rogo à sorte

para que se coloquem em meu caminho.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

MANIFESTO PELA BELEZA DAS RUAS TOMADAS

Por isso, dizemos: atentem para a beleza das ruas tomadas, 
porque quando o povo anônimo toma de assalto o espaço das máquinas, 
quando inverte a direção das vias com passos vibrantes, 
quando canta mais alto que as buzinas e os motores , 
uma nova coloração toma o ar e o futuro se ilumina no ventre das moças.
As ruas tomadas são belas porque harmonizam o canto impossível das distancias conjugadas nos semáforos, a dor secreta dos corações guardados nas guaritas.
As ruas tomadas, quando nascem , dobram a lamúria das esquinas e fundam o perfume das árvores centenárias.
As ruas tomadas, refletidas às vezes em vidraças estilhaçadas, criam novas geometrias humanas ,
 reinventam a imagem do desejo na desordem erótica das calçadas ardentes.
O povo na rua expurga o veneno da usura dos dias úteis e afirma o passo estético, o passo político; 
o encontro afirmativo dos corpos em estado de presença.
As ruas tomadas, pelas pessoas de todos os dias, 
projetadas em nenhum lugar senão nelas mesmas, em seus outros, em seus mesmos.

Por isso, dizemos: atentem para esta beleza.