São Paulo atrás das grades, sob o céu beijado de torres
antenas, avenidas e arranha céus
triste torpe em automóveis multicor
tossem roucos pelas artérias de fuligem
coronéis de batina e óculos 3D recitam versos para
crianças em coroas de espinho
longos uivos de cometas cortando a paisagem a 200Km por hora
deuses pagãos pedindo emprego, maltrapilhos por um par de
cochas juvenis
cadáveres rápidos cruzam alamedas batendo continência com
olhos de silício
bem longe um motoboy pula corda na varanda da lua
São Paulo masmorra do poeta xamã, derrama a tua cachoeira
sobre as pontes que te doem e vomita teu canto anarquista nas
costas das árvores que te restam